Encontro Prelazia de São Félix do Araguaia

No último fim de semana, entre 01 e 03 de junho, foi realizado o quarto Encontro dos amigos e amigas da Prelazia de São Felix do Araguaia, no Mato Grosso. Mais de cem pessoas se reuniram para rememorar os trabalhos na região do Araguaia na década de 1970 com Dom Pedro Casaldália. Trabalho baseado na Teologia da Libertação, corrente do pensamento que interpreta os ensinamentos de Jesus Cristo como libertadores de injustas, sejam sociais, políticas ou econômicas.
O encontro foi realizado primeiramente no Mosteiro da Anunciação, na Cidade de Goiás, para onde foram pessoas que hoje moram em vários estados brasileiros. Foi recheado de histórias de luta pela terra, música e poesia. E o encerramento foi com um almoço cultural no Circo Laheto, em Goiânia. “São pessoas que assumiram apoiar a luta dos menos favorecidos. Uma experiência forte, visceral na vida de todos. Encontro para cultivar e fortalecer a luta. Realimentar as baterias ainda mais para enfrentar esse momento tão difícil, como é esse de golpe por que passamos agora”, Rodolfo Cascão Inácio.
Na década de 1970 a região de São Félix do Araguaia era extremamente pobre, carente de tudo, além de ser palco frequente de disputa por terras. A fim de diminuir essas injustiças sociais, a Prelazia trabalhou ativamente junto aos menos favorecidos, levando educação, conforto espiritual e, acima de tudo, conhecimento. “Quando Dom Pedro chegou em 68, viu a carência da Região. Naquela época a escola só ia até o quarto ano primário. Então construíram um prédio para ser o Ginásio, da quina até a oitava série. Em 1970, eu era padre e morava em Campinas, São Paulo. Alguns rapazes que moravam comigo foram convidados para dar aulas na Região do Araguaia. Eu fui em 71 e passei 26 anos lá.”, relembra Antônio Canuto.
Ainda foi criado o Projeto Araguaia Pão e Circo, que, através da arte, discutia questões políticas e despertava uma visão crítica nos ribeirinhos, posseiros e índios. Para Paulo Gabriel, um dos fundadores do Araguaia Pão e Circo, “O projeto foi experiência fundamental para que surgissem vários núcleos alternativos no futuro, como o Circo Laheto. Para que um grupo funcione bem, ele precisa de bons artistas, boas relações humanas e uma boa administração. Tudo isso o Laheto tem hoje em dia.”
O diretor do Circo Laheto, Maneco Maracá, foi integrante do Araguaia Pão e Circo. Ele tirou daí as bases para o trabalho com o Circo Social: “O Circo Laheto dá continuidade ao que aprendemos no Araguaia, através de várias atividades culturais, montagens de espetáculos com conteúdos críticos e o atendimento com crianças”.

Publicado em Destaque, Notícias.